Opinião · Pedro Seabra · Treino Mental

Treino mental no futebol: o que os melhores jogadores fazem diferente

Em mais de dez anos a trabalhar com futebolistas profissionais (mais de trezentos, do Leixões ao Barcelona), vi sempre o mesmo padrão: a diferença entre o treino e o jogo raramente é técnica. É emocional.

Todos os treinadores conhecem este jogador: impecável de segunda a sexta, irreconhecível ao domingo. Treina bem, percebe o jogo, tem qualidade acima da média, e desaparece quando a bola conta. Durante anos, o futebol chamou-lhe "falta de personalidade" e arrumou o assunto. Hoje sabemos que tem nome, tem causas e, sobretudo, tem treino.

O que os jogadores de topo têm em comum

Os melhores com quem trabalhei não eram os mais talentosos dos seus plantéis. Eram os que tinham processos: sabiam o que fazer com a cabeça depois de um erro, tinham rotinas de preparação antes dos jogos grandes, e conheciam-se ao ponto de saber o que os bloqueava e o que os acendia. Nenhum nasceu assim. Todos construíram isso, com trabalho.

Um exemplo que se tornou público: quando o Trincão começou a trabalhar comigo, pedi-lhe que escolhesse o clube onde queria jogar e que desse força a esse objetivo todos os dias. Escolheu o Barcelona. Dois anos depois, assinou. Não foi magia. Foi identidade, foco e um plano trabalhado dia após dia, quando ninguém estava a ver.

Ninguém nasce predestinado. Os jogadores de topo têm processos dentro deles que geram esses resultados. E processos treinam-se.

Em que consiste o treino mental, na prática

Esqueça as frases motivacionais. O trabalho sério de treino mental num futebolista passa por quatro áreas concretas. Regulação emocional: o que fazer com o corpo e a cabeça nos minutos antes do jogo, depois de um erro, depois de uma derrota pesada. Identidade: quem és como jogador, o que te move, o que precisas de proteger. Contexto: perceber o balneário, a concorrência, o clube (há jogadores com dez anos de carreira que nunca perceberam o contexto onde estão inseridos). E estrutura de carreira: decisões, grupo de influência, gestão dos momentos de mudança, como uma transferência para o estrangeiro.

É este o trabalho que fazemos no acompanhamento individual de atletas, personalizado, confidencial, e ao ritmo da época desportiva.

Um aviso honesto

Este trabalho não é para todos. É para quem quer ser melhor e está disposto a abdicar do ego e de ter sempre razão. A vontade de mudar tem de partir do atleta. O resto constrói-se em conjunto. Mas quem entra no processo a sério percebe rapidamente porque é que os melhores do mundo têm este apoio nas suas equipas: quando a cabeça acompanha o talento, o rendimento deixa de ser uma lotaria.

O talento levou-te até aqui. A cabeça decide até onde vais.

Trabalho individual, personalizado e confidencial, presencial ou à distância.

Conhecer o trabalho individual
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